No dia 15 de maio, estudantes e
professores foram as ruas para protestar contra os cortes na educação, de forma
abrupta o Ministério da Educação, (MEC), resolveu cortar 30% das verbas das
Faculdades e Institutos Federais. Para o Ministro Abraham Weintraub, não houve
cortes, mas sim contingenciamentos, e alegou que o “contingenciamento”
correspondia a 3% dos recursos dessas instituições, se formos pegar todas as
verbas pode até ser, mas salário e auxílio estudantil são verbas obrigatorias e
não podem sofrer cortes, onde foi mexido foi nos recursos destinados a
pagamento de água, luz, manutenção, ampliação, nesse caso o corte foi de
aproximadamente 30%. Num primeiro momento, o MEC através de seu ministro anunciou que somente algumas
instituições teriam as verbas cortadas, a justificativa foi que ocorria
balburdia nessas instituições.
Na maioria das vezes que o governo
contingenciou verbas na educação, ou em outras áreas, o contingenciamento se transformou
em CORTES, então essa conversa não convence ninguém. Mas para piorar a
situação, a justificativa utilizada não condiz com um Ministro que ocupe uma
pasta da magnitude e importância do MEC.
Logo após a declaração do Ministro o
exército bolsonarista, partiu pro ataque, as redes sociais foram cheias com
fotos de alunos protestando nus em alguns campis, paredes pichadas, alguns
casos de corrupção envolvendo a administração de algumas instituições. Algumas
das fotos nem foram em campis universitários, envolviam perfomances em outros
espaços não acadêmicos, fake news, espalhadas como verdades absolutas.
Cabe ressaltar que as instituições
federais já trabalham no limite do orçamento, pois os cortes ocorridos no
governo Dilma e o congelamento das verbas do Governo Temer, o corte anunciado
pode significar a impossibilidade de funcionamento.
Um
outro fato é que o governo fugiu do debate sobre a situação da educação, optou,
como tem sidoa prática do atual governo, atacar as instituições de ensino
federais e os alunos, como se ali só houvessem professores militantes,
estudantes maconheiros, prosmíscuos e que não perdem uma oportunidade para
desfilarem pelados. E no pacote do MEC ainda foram cortados recursos da CAPES,
ou seja bolsas para pesquisa e extensão.
A resposta veio nas ruas, nas
principais cidades do país houve mobilizações em defesa da educação e contra os
cortes, os espaços nas redes sociais foram ocupados por destaques ao trabalho
desenvolvido nas universidades e institutos federais. O presidente Jair
Bolsonaro, que estava nos EUA, chamou os manifestantes de idiotas inúteis
manipulados por uma minoria inescrupulosa.
A educação sempre foi estratégica
para o desenvolvimento, países onde não há incentivo à pesquisa acaba não
produzindo tecnologia e inovações e fica dependente dos países onde há
incentivo. Sem falar que os melhores cientistas e pesquisadores acabam indo
para o exterior desenvolver suas pesquisas e projetos. O governo Bolsonaro
desde a eleição e logo após sempre demonstrou que educação não seria
prioridade, com um discurso de ataque aos professores e a classe acadêmica,
ancorado num discurso de moralismo e patriotismo bufão. A educação nunca foi
tratada como deveria no Brasil, a própria população brasileira em sua ampla
maioria ainda não encampou uma atitude pró educação como deveria, ou seja, a
educação no Brasil ainda não se tornou um projeto de nação, pois se fosse,
seria superior aos governos.
o Governo de Jair Bolsonaro sabe disso, mas
sabe também que uma boa parcela da população defende um ensino público de
qualidade, então pra justificar os ataques utiliza um discurso de falso
moralista e tenta desacreditar as instituições, professores e alunos. Também
utiliza os cortes ou contingenciamento coma uma espécie de chantagem para passar
a reforma da previdência.
Mas a juventude deu o recado, e
promete mais mobilização para os dia 30 de maio, talvez esteja começando uma
reação á truculência bolsonarista, que obrigue esse governo a moderar o tom e
passar a dialogar com a sociedade como um todo e não fiar somente polemizando
nas redes sociais buscando agradar suas hostes de seguidores.

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