quinta-feira, 30 de maio de 2019

Juventude nas ruas pela educação









            No dia 15 de maio, estudantes e professores foram as ruas para protestar contra os cortes na educação, de forma abrupta o Ministério da Educação, (MEC), resolveu cortar 30% das verbas das Faculdades e Institutos Federais. Para o Ministro Abraham Weintraub, não houve cortes, mas sim contingenciamentos, e alegou que o “contingenciamento” correspondia a 3% dos recursos dessas instituições, se formos pegar todas as verbas pode até ser, mas salário e auxílio estudantil são verbas obrigatorias e não podem sofrer cortes, onde foi mexido foi nos recursos destinados a pagamento de água, luz, manutenção, ampliação, nesse caso o corte foi de aproximadamente 30%. Num primeiro momento, o MEC através de seu ministro anunciou que somente algumas instituições teriam as verbas cortadas, a justificativa foi que ocorria balburdia nessas instituições.

            Na maioria das vezes que o governo contingenciou verbas na educação, ou em outras áreas, o contingenciamento se transformou em CORTES, então essa conversa não convence ninguém. Mas para piorar a situação, a justificativa utilizada não condiz com um Ministro que ocupe uma pasta da magnitude e importância do MEC.

            Logo após a declaração do Ministro o exército bolsonarista, partiu pro ataque, as redes sociais foram cheias com fotos de alunos protestando nus em alguns campis, paredes pichadas, alguns casos de corrupção envolvendo a administração de algumas instituições. Algumas das fotos nem foram em campis universitários, envolviam perfomances em outros espaços não acadêmicos, fake news, espalhadas como verdades absolutas.

            Cabe ressaltar que as instituições federais já trabalham no limite do orçamento, pois os cortes ocorridos no governo Dilma e o congelamento das verbas do Governo Temer, o corte anunciado pode significar a impossibilidade de funcionamento.

            Um outro fato é que o governo fugiu do debate sobre a situação da educação, optou, como tem sidoa prática do atual governo, atacar as instituições de ensino federais e os alunos, como se ali só houvessem professores militantes, estudantes maconheiros, prosmíscuos e que não perdem uma oportunidade para desfilarem pelados. E no pacote do MEC ainda foram cortados recursos da CAPES, ou seja bolsas para pesquisa e extensão.

            A resposta veio nas ruas, nas principais cidades do país houve mobilizações em defesa da educação e contra os cortes, os espaços nas redes sociais foram ocupados por destaques ao trabalho desenvolvido nas universidades e institutos federais. O presidente Jair Bolsonaro, que estava nos EUA, chamou os manifestantes de idiotas inúteis manipulados por uma minoria inescrupulosa.

            A educação sempre foi estratégica para o desenvolvimento, países onde não há incentivo à pesquisa acaba não produzindo tecnologia e inovações e fica dependente dos países onde há incentivo. Sem falar que os melhores cientistas e pesquisadores acabam indo para o exterior desenvolver suas pesquisas e projetos. O governo Bolsonaro desde a eleição e logo após sempre demonstrou que educação não seria prioridade, com um discurso de ataque aos professores e a classe acadêmica, ancorado num discurso de moralismo e patriotismo bufão. A educação nunca foi tratada como deveria no Brasil, a própria população brasileira em sua ampla maioria ainda não encampou uma atitude pró educação como deveria, ou seja, a educação no Brasil ainda não se tornou um projeto de nação, pois se fosse, seria superior aos governos.

 o Governo de Jair Bolsonaro sabe disso, mas sabe também que uma boa parcela da população defende um ensino público de qualidade, então pra justificar os ataques utiliza um discurso de falso moralista e tenta desacreditar as instituições, professores e alunos. Também utiliza os cortes ou contingenciamento coma uma espécie de chantagem para passar a reforma da previdência.

            Mas a juventude deu o recado, e promete mais mobilização para os dia 30 de maio, talvez esteja começando uma reação á truculência bolsonarista, que obrigue esse governo a moderar o tom e passar a dialogar com a sociedade como um todo e não fiar somente polemizando nas redes sociais buscando agradar suas hostes de seguidores.

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